Single-Tasking: será este o adversário capaz de derrotar o Multitasking?

Redatora com Futuro
29 Janeiro 2019

Fazemos parte da geração que cresceu durante o apogeu tecnológico, com a televisão, a Internet e os smartphones a dominarem o nosso dia-a-dia. Por consequência, estamos habituados a ter ao nosso dispor muito daquilo que desejamos a uma distância de um mero clique.

Constituímos a era do fast-scrolling, caracterizada pelo nosso desejo crescente de ter ou possuir, bem como pela satisfação rápida e imediata do mesmo. Não só queremos, como queremos agora, neste exato momento. A nossa paciência é cada vez mais ténue, já que apenas o loading de uma página, mais demorado do que o habitual, é capaz de nos irritar significativamente.

Neste modo de vida acelerado, a forma como trabalhamos é também altamente afetada. Somos coagidos a pensar que devemos ser capazes de realizar, de forma apressada, mil e uma tarefas. Ao querermos fazer sempre mais e em menos tempo, caímos na espiral ilusória do multitasking. Geralmente encarado como uma eficaz tática de trabalho ou skill a dominar, não passa afinal de um mito.

A verdade é que ao tentarmos completar uma panóplia de coisas ao mesmo tempo, há uma grande probabilidade de não conseguirmos concretizar metade do previsto. Toda a lógica do multitasking prova-se contraprodutiva, ineficiente e especialmente stressante. Como, por exemplo, mexer no telemóvel enquanto conduzimos - é considerado, por alguns estudos, igualmente perigoso como dirigir embriagado. Esta situação justifica-se precisamente pelo défice de concentração que acarretamos ao tentar dispensar um igual nível de atenção para ambas as atividades. O cérebro não tem simplesmente a capacidade de se focar, no seu estado mais pleno e produtivo, em diversas situações simultaneamente.

É recomendado apostar antes num método de trabalho baseado na técnica singletasking. Por outras palavras, consiste na realização de apenas uma tarefa, num determinado período, e com o mínimo de interrupções possíveis a esta. Deste modo, conseguimos depositar uma maior concentração sob aquilo que trabalhamos, sentir uma menor pressão para o finalizar e consequentemente completar todo este processo de forma mais prazerosa. Para além disso, ao estarmos focados num determinado assunto, por algum tempo, desenvolvemos um pensamento muito mais criativo, dinâmico e aprofundado sobre o mesmo.

Assim sendo, para conseguires dominar este procedimento e aplica-lo ao teu tempo de estudo, aconselhamos:

Livra-te das distrações – Desliga o computador, a televisão e põe o teu telemóvel no modo avião, prevenindo que nenhuma chamada ou notificação disturbe o teu trabalho.

Divide o teu tempo – É fundamental que consigas planear o teu dia para que concretizes tudo o que pretendes, porém respeitando sempre o tempo suficiente para cada tarefa.

Faz intervalos – Estes são fundamentais para que o teu cérebro consiga abastecer energias e descansar entre diversas atividades.

Portanto, em última análise, não interessa propriamente a que velocidade consegues riscar vários objetivos da tua to-do list, mas sim que cada um deles seja verdadeiramente bem feito, mesmo que isso implique mais tempo gasto.


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